Dicas de costura para principiantes – execução de um vestido com molde base

Lígia Mendes

Hoje, dá início mais uma série de posts sobre os meus projetos de costura, tal como prometido.

Como sabem, sou uma aprendiz dos cortes e das costuras (e, dirá a minha querida Olga Amorim, uma aluna muito pouco assídua…), mas tenho esta paixão em mim e gostaria de partilhar convosco algumas das dicas que vou aprendendo na Medidas Mágicas. Se também estão a começar a aprender a manusear as agulhas, estes posts são para vocês. Se já são experts na matéria, estes posts também são para vocês, pois aguardo que também partilhem comigo as vossas dicas e sugestões. Se não estão a começar nem são experts, talvez vos consiga aguçar a curiosidade. Mas não fujam já!

Para inaugurar esta categoria, trago-vos um projeto simples, mas que me está a dar imenso prazer, porque há muito tempo que não criava nada para alguém que não eu e, muito menos, sem a vigilância apertada da minha professora ( o que é assustador!!!).

E como é um projeto tão simples, vai permitir-me partilhar com os aprendizes e os curiosos alguns passos básicos para a execução de um vestido base.


1. Se estão a começar, evitem investir muito dinheiro em tecidos caros. Há lojas de tecidos que disponibilizam tecidos baratos e, a verdade é que, estando a aprender, é bem possível que alguns dos erros que se cometem venham a danificar a peça ou, pelo menos, a torná-la menos atrativa do que seria expectável. Assim sendo, recomendo que os primeiros trabalhos sejam realizados em retalhos (à venda em várias lojas da especialidade) ou em tecidos menos nobres.

No que diz respeito à quantidade de tecido a comprar, as contas devem fazer-se assim: normalmente, os tecidos têm 1,5m de largura, mas como podem existir exceções, o mais seguro é perceberem se a largura é suficiente para a parte mais larga do corpo (com valores de costura) a quem se destina a peça. Se não for o caso, devem comprar tecido equivalente a 2 alturas da peça (ex: se vão realizar um vestido sem mangas, com 86cm, e a largura não for suficiente para frente e costas, devem comprar cerca de 2m de tecido (0,86m*2=1,72m. O restante será para valores de costura e vistas.).

Não devem esquecer-se que, caso pretendam acrescentar peças à peça base (mangas, folhos, etc) devem comprar tecido suficiente para todas elas também.

    2. A criação dos moldes. No meu caso, utilizei o molde fornecido pela escola para elaboração de um vestido base. No entanto, há vários sites na Internet, revistas ou outras publicações que disponibilizam moldes gratuitamente. O que sugiro é que, caso não saibam as regras para criação de um molde, utilizem estes. Algumas regras a ter em conta:

  • Comparem sempre as medidas no molde com as medidas da pessoa para quem se destina a peça, porque em alguns casos (estou a pensar na Burda, por exemplo), um 38 não é forçosamente “o 38” que costumamos comprar;
  • Verifiquem se o molde já tem os valores de costura ou a peça ficará apertada e o tecido estragado, caso o cortem sem valores para as costuras;
  • É muito importante testar os moldes, sobretudo na primeira vez em que os estamos a utilizar, para fazermos os ajustes necessários. Os moldes são feitos para um “corpo-tipo”, mas todos nós temos corpos diferentes, e essas diferenças devem constar nos moldes. Esse teste deve fazer-se no que chamamos a toile, ou seja, um pano crú e barato, à venda em retrosarias e até no IKEA!

3. Após testarmos os moldes e fazermos os ajustes necessários no molde base, podemos passar à colocação dos moldes no tecido. Esta colocação, para cortes direitos, é feita seguindo o fio do tecido, paralela às ourelas do tecido. Para quê? Porque após a lavagem, o tecido poderá esticar ou encolher, mas tal nunca se passará  entre as ourelas. Ao colocar os moldes desta forma, evitamos assim que a peça já não nos sirva na perfeição, após a lavagem.

Devemos aproveitar todo o tecido disponível, para reduzir o desperdício, mas outro aspeto a ter em conta é o espaço entre os moldes, de forma a termos largura suficiente para os valores das costuras, caso estes não estejam já incluídos no molde (como explicado acima).

Caso os moldes não incluam valores de costura, após a colocação dos moldes com alfinetes, devemos marcar os valores de costura com giz. Estes valores, no vestido que estou a executar, são 2,5cm para laterais e costas, 1cm para decotes e cavas, 1,5cm para ombros e 4cm para bainha. Estes valores são os valores que normalmente utilizo para saias e vestidos.

4. Após colocação dos moldes e marcação dos valores de costura, passamos ao corte do tecido. Este corte deve fazer-se pelo exterior do giz para não roubarmos milímetros preciosos à peça.

5. Pormenor muito importante: a marcação do fio de meio. Quando comecei, esquecia-me muito frequentemente deste passo, que é “só” dos mais importantes. Esta marcação serve para indicarmos no tecido onde se encontra o meio da peça, o que é um guia fundamental para unirmos peças, por exemplo, e garantirmos que ficam simétricas e/ou colocadas corretamente. A marcação do fio de meio faz-se passando a agulha com linha de alinhavar, em pontos médios, pela dobra no centro da peça.

6. Fio de meio passado, chegou o momento de passarmos a marcação das pinças para a outra metade do tecido, caso a peça tenha pinças. Esta marcação faz-se com alfinetes, que devemos colocar, mais uma vez, junto ao exterior da marcação a giz, ao longo do desenho das pinças. Depois, basta virar a peça e marcar a giz os “traços” deixados pelos alfinetes.

7. Agora, é o momento de tirarmos os alfinetes e fazermos as marcações dos valores de costuras. O que é mais comum é fazer-se estas marcações utilizando um de dois métodos: ou com “argola e linha” ou com pontos médios passados com linha de alinhavar. Eu prefiro o segundo método, porque o considero mais simples e porque o primeiro, sobretudo em tecidos mais finos, não é tão fácil de executar, sendo que muitas vezes as linhas caem e perdemos as marcações.

O método que sugiro é muito fácil de executar, como podem verificar na imagem. Basta medirem, a partir da margem do tecido, os valores de costura definidos, e passar a linha, com pontos não muito largos.

8. Após marcação dos valores de costura, devemos alinhavar as pinças, unindo-as fazendo coincidir as linhas de marcação, deixando a parte direita do tecido no interior da pinça.

9. Finalmente, vamos unir as peças e alinhavá-las. Isto deve fazer-se colocando o direito do tecido contra o direito do tecido e respeitando o alinhamento das marcações. Os alinhavos devem ser pontos curtos, para evitar que as peças se descosam, caso tenhamos de provar a peça, por exemplo.

E a peça está pronta para começarmos a coser! Parece complicado, mas depois de praticarmos algumas vezes, torna-se uma rotina rápida de executar e muito útil para garantirmos que não há erros ao cosermos as diferentes partes das peças.

Prometo partilhar convosco a evolução deste vestido e os passos seguintes.

Espero que tenha sido útil e, qualquer questão ou sugestão, já sabem, deixem comentários!

Termino apenas com um conselho: para esta, como para qualquer atividade a que se dediquem, o que ditará o sucesso do resultado será a paixão, a dedicação e a perseverança. Nunca deixem de ousar !


  • Pirilampos Marte

    Adorei o ensinamento. Espero que continues com mais destes para eu aprender eheh

    Beijinhos 🖤
    ww.pirilamposemarte.com

    • Lígia Mendes

      Obrigada pelas palavras de coragem. Continuarei com certeza. Beijinhos.

  • ItsElla Blog

    Tenho o sonho de um dia poder vir a confecionar peças de roupa para mim ou para a família!

    Realmente, a costura fascina-me mas, aprendendo, tenho de começar mesmo, mesmo do zero e vai precisar de muuuuita dedicação. Nesta fase não tenho muito tempo disponível mas não vou acabar os meus dias sem saber construir uma peça de raiz!

    Gostei muito do blog 🙂 Vou acompanhar.

    Andreia
    http://www.acasadella.com

    • Obrigada pelas palavras, Andreia. Força nesse sonho, porque não há satisfação maior que sentirmos que realizámos algo que desejávamos muito. O tempo para a dedicação acaba por aparecer, quando fazemos algo com aquele brilhozinho nos olhos, como se de magia se tratasse 🙂
      Beijinhos,

      Lígia