Lígia Mendes

O post de hoje é sobre outra das minhas grandes paixões – a costura e, mais especificamente sobre a escola de costura que tem alimentado este bichinho.

A minha querida avó era modista e eu cresci rodeada de tecidos. Dos retalhos, fazia roupas para as Barbies, mas de forma muito rudimentar. Onde devia havia costuras, havia nós para segurar as peças. Ainda assim, foi com a minha avó que aprendi a coser os botões de uma forma “que nunca mais saem” e a fazer bainhas à mão.

No entanto, para além destas 2 habilidades, que já dominava, nunca tinha tocado numa máquina de costura nem cosido qualquer peça de roupa. E ainda muito menos desenhado um molde (acho que nem na imaginação) ou cortado uma peça com as minhas medidas.

Há cerca de 3 anos, experimentei 2 workshops de costura, onde pude realizar um top e um vestido, e fiquei fã. Realizei estes workshops na Oficina de Costura Criativa e agradeço profundamente às responsáveis por este projeto, pois lembro com carinho o lugar descontraído, bem como a alegria e a energia que emanava dos seus rostos sempre sorridentes e simpáticos. Foi graças a elas que achei que devia ir mais longe.

Procurei, então, uma escola onde pudesse desenvolver à séria as técnicas de modelagem, corte e costura. Depois de muita pesquisa, encontrei o Atelier Paraíso, onde fui recebida pela carismática Cristina Garrido, que me conquistou logo na apresentação da escola. Aceitei fazer a minha inscrição imediatamente e, durante 1 ano, frequentei as aulas nesta escola, num total de 6 horas semanais.

Estas aulas mudaram a minha vida.

Foi aqui que conheci a professora Olga Amorim. (pausa para suspirar). A professora Olga é daqueles talentos, mas daqueles talentos tão talentosos, que parece um anjo. Ainda bem que tive a sorte que ela se cruzasse comigo, no meu caminho de costuras, porque é daquelas pessoas que transborda vocação para o que faz e que inspira até o mais desinteressado dos alunos. Um dia destes, faço um post inteiramente dedicado a esta grande senhora da costura, pois ela é, sem dúvida, das melhores (para mim, é a melhor, mas eu sou suspeita…).

Como estava a explicar, frequentei as aulas no Atelier Paraíso durante 1 ano, o que me permitiu aprender os moldes de vários tipos de saias, vestidos, camisa de senhora e calças. A partir destes moldes, cortei e costurei diversas peças e, o melhor de tudo, feitas a partir das minhas medidas, o que me permitiu ter peças únicas e totalmente adaptadas às formas do meu corpo.

Após 1 ano, tive de abandonar a escola por motivos profissionais, mas o bichinho já cá estava e, quase 2 anos depois, voltei a contactar a Olga, que me disse… OH SORTE DAS SORTES… que tinha aberto a sua própria escola de costura, a Medidas Mágicas, nas Olaias, em Lisboa.

Claro que lá estava eu, no dia da inauguração, a dar um grande abraço à Olga e a conhecer a sua sócia, a querida Teresa. A escola, super equipada e com um ar catita, convidava a ficar a criar peças de roupa durante horas e horas e horas. Inscrevi-me (ou melhor, reinscrevi-me) de imediato.

Atualmente, já com imensas alunas, que, tal como eu, seguem cursos de modelagem, corte e costura de longa duração, também é responsável por workshops de iniciação à costura e costura criativa.

Para quem, como eu, trabalha a tempo inteiro, mas tem a paixão pelas costura ou gostaria de aprender mais (ou tudo, como no meu caso), recomendo esta escola, pois os horários e até a frequência das aulas podem ser totalmente adaptados à disponibilidade de cada aluno. O meu trabalho obriga-me a viajar com frequência, pelo que há semanas em que não consigo ir à escola, mas a compensação das aulas a que falto é sempre proposta da Olga, sem que eu tenha sequer de falar no assunto.

Ao mesmo tempo, cada aluno segue o seu ritmo de aprendizagem, sem que a disciplina e o rigor deixem de ser exigidos. Só passamos ao molde seguinte quando tivermos aprendido o anterior e, de preferência, quando este tiver sido testado em, pelo menos, 2 peças.

Por fim, resta-me falar do bom ambiente que se respira neste ateliê, onde as conversas se prolongam  no tempo, entre linhas, tesouras e tecidos estendidos sobre as mesas de trabalho. Há um espírito de entre-ajuda e descontração que tornam as aulas muito agradáveis e convidativas, como se fossemos uma espécie de família, unida por interesses em comum.

Como já puderam constatar, pela dimensão do post, este tópico tem literalmente “pano para mangas” e, por isso, prometo explorá-lo ao máximo, partilhando convosco o que vou aprendendo e alguns truques preciosos para quem quiser ousar aventurar-se também no corte e costura.


Até breve!